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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
Momento

Na rua em que passo há história

E passo alheio a ela.

 

As dimensões presentes que não me tocam

São-me estranhas, ainda que as conheça,

E que conheça a quem estranhas não sejam.

 

Não há, para mim, que o concreto.

Os raios de sol balouçam calmamente no piso pedregoso que olho de soslaio.

 

E, quase que sem saber, o peso de todas as realidades do mundo

E de todas as irrealidades que não são dele, ainda que lhe pertençam

Cai sobre mim e soterra-me da sensação indefinida de não sentir coisa alguma pelo que passou,

Senão pelo que passa,

Incerto do que passará.

 

Sobre tudo o que conheço, nada conheço senão o que conheço,

Ainda que neste momento vislumbre o que sei não conhecer.

Neste momento único, parado, em que a luz se desfaz nos seus reflexos temporais

E me mostra no limite da minha existência, os limites de existências para além da minha.

A visão periférica que me embala, e da qual não distingo contornos e cores, por ser periférica,

Sabendo que não a posso olhar directamente, por não poder virar o pescoço e os olhos para fora do meu ser e presente.

 

O asfalto está quente.

Reluz, paciente, sobre o sol frio que me aquece e não diz nada

Mas faz-me pensar.

Pensar, pensar, pensar!

Sem chegar a lado algum.

A que lado é que posso chegar, se não chego a sair de mim?

 

Penso momentaneamente, e momentaneamente tento agarrar os pedaços de consciência para além de mim,

Que fogem entre os meus dedos como memórias escorregadias,

E fico a pensar sem nada, porque tudo e momentaneo.

Penso sem pensar em que, penso sem pensar que penso.

 

A história da rua já não me diz nada

(Alguma vez o disse,

ou as pessoas que nela entravam,

alguma vez me falaram?

Não, talvez não.

Talvez não senão criação,

Da mente, eterna ilusão).

E olho sem ver as pedras espalhadas ao acaso, prova arbitraria do mundo.

 

Mundo momentaneo.

Vejo-te momentaneamente, penso-te momentaneamente, vivo momentaneamente para morrer a cada momento.

Quem passou, passou, nada há a pensar, ainda que pense, nem no que se passa nem no que se vai passar.

Quem passou teve o seu momento, e os que virão serão de quem os tiver.

 

E Amo momentaneamente.

Pela relação momentanea das coisas efemeras,

Pela efemeridade da momentaneadade das coisas e das relações...

Puro sistema complexo,

Máquina de movimento perpétuo,

Condensador de partículas do momento,

Máquina do tempo que nos transportas infinitamente sem sair do sítio

 

Megapixeis da minha consciência...

 

Acordo como que de repente, sabendo que nunca tinha dormido.

A estrada é a estrada.

O asfalto é o asfalto.

As pessoas não estão lá, e sei empiricamente que já estiveram, e que voltarão certamente a estar.

Terão as suas histórias, eu terei as minhas. Para que cruzar memórias?

Olho em frente, e sigo a andar. Há mais que fazer que pensar em nada.

 

Tudo veio e passou,

Como todas as ideias,

Como todas as vidas,

Como todas as histórias e como todos os universos,

Como tudo o que vem e passa.

 

Num momento.

publicado por Pedro Leitão às 21:09
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(In)Correspondencia do amor

Diga-me, quem ama,
O que não gosta de ser amado.
Só dirá quem tem a chama...
Digo-vos eu que não a tem apagado...

Que me minta
Quem não tem gostado...
Emoliente me sinta
Por estar apaixonado...

Por tudo isso se chama,
O Problema do Amor...

Mal-amado.

Só acredito, só concordo,
Que três seres amem
Sem nada esperar...
Deus nosso criador,
Seu filho, o salvador,
E Uma virgem se foi entregar
E que por mais Maria lhe chamem
Cego de amor, seu nome, já não recordo.

Mulher, que Deus sabe como amo,
Que também se intitula Maria,
Ao seu amor, e a Ele, aclamo,
P'ra que em seus braços acorde um dia.

Mulher emetrope , de feições apenas perfeitas...
Molde único, fez o Criador questão de guardar...
Fenix entre todas as eleitas,
Tuas mãos de fada quero um dia beijar.

Por mais água que beba,
Sentirei sempre sede de te amar...
Por mais vezes que eu seda,
O amor dar-me-á forças para continuar...

Quero contar que te amo,
Antes que o meu coração morra,
De tanto te amar...
Quero contar que te amo,
Antes que o meu coração exploda,
E te vá contar...

Por isso, a vós que amais alerto,
A vós que permanecereis com a chamas acesas,
Vós que p´lo mesmo sentimento tenho por perto,
Empaleçam perante a ironia da minha sorte...

Vivendo num mundo cheio de incertesas,
A única que não tenho é a própria morte.

publicado por Amor(com)Bateador às 17:59
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
Reflexão Última

Vive como se cada momento

Palavra, gesto, ou pensamento

Fossem os últimos.

E pensa como viverias se vivesses a viver

A cada um deles, o último instante?

Nunca dirias olá a ninguém,

Porque essa poderia ser a tua última palavra,

E olá não é boa despedida.

 

Não serias senão reflexão constante,

Interna mental e filosófica,

E inteligente e rebuscada,

E profunda e para nada.

 

Não, não podes viver cada momento como o último.

Não podes porque o último é só um,

E não a multiplicidade com que o queres.

E não podes também porque nesse último

Não vives, e não és senão sombra e passagem,

Etérea entre o que és e o que não és,

E entre o fim e a tendência para o infinito.

 

E antes desse último o que tens?

Outro último, ultimamente proximo,

O último antes desse em que não és,

E antes desse outro e outro e outro,

Sucessivamente últimos,

E sendo a tua vida, o todo do que és,

Composta pelos últimos estáticos em que não és,

E sem tempo, nem correr, nem nada que não estático.

 

E mais triste que não viver como o último momento,

Que afinal acontece a todos dos que vivem,

E não ser, não viver, senão parado em cada quadro,

O que é lei para toda a existência,

É estar parado no etéreo entre quadros,

A dor condensada no fotograma insensível,

A dor de existir sem se saber porquê,

E sem saber realmente se se sabe se se existe.

 

E saber que se não existir melhor:

Não passo dum sonho sonhado,

Quem sabe, talvez acordado,

Por quem não sonha sequer.

publicado por Pedro Leitão às 19:57
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006
Pretérito Presente

Sozinho escrevo, inconsciente do que passou antes de mim,

De toda a felicidade e infelicidade do mundo,

E do inexistente que existe e da verdade.

O vazio aprisiona-me em mim,

Torna-se meu,

Única vida na imensidão.

Tudo o que passou antes é nada,

E nada sou para o que virá.

 

Guardo a tua fotografia na minha mão,

E a tua memória onde pertence.

O nada do antes em que o presente vai transfigurar

Pesa-me como lâmina equilibrada

Na linha infinitamente fina sobre mim.

 

E o presente nada é mais que tudo o resto de nada.

 

Observo a tua face cortada da palma da minha mão,

E apago os estilhaços dos outros sítios.

Não apanho os bocados, não tenho com que os colar no lugar,

Poque nunca a nenhum lugar pertenceram, e nada na vida cola.

 

Apenas um sem fim do nada que existe,

Porque não existe nada mais,

Em que eu os varro para debaixo do tapete

Da minha consciência,

E escondo o tapete como escondo de mim a vida.

 

Ah, como era poder ser!

Poder ser mais que o empréstimo a que se tem direito,

Poder dizer em vez de falar, e cada palavra significar

O que se quer dizer e não o que se fala!

E cada sonho, gesto, e pensamento,

Não ter que ser completo

Ou realizado

Ou concreto

Ou sequer pensado

Por o tempo para tal não acabar...

 

E o amplo dessa ideia abate-se sobre mim,

E sou asfixiado pelas estreitas cortinas do tempo.

E o funil limita cada dia que passa, e limita-se a cada mesmo,

E reduz-me a pó das estrelas, varrido para debaixo do meu tapete,

E a parcelas do que nasci.

 

Abro novamente a mão. Vazia.

 

Que escrevi há dez minutos? Não me lembro.

Que escrevi há mais que isso? Não sei, ainda que me lembre.

 

E o que sonho agora, não existe;

E o que vejo agora já não existiu,

E não mais, e nunca mais igual na sua inexistência,

Nem na memória com que disso fique!

 

Não ter nascido.

Não ter nascido e existir ainda assim,

(ou não existir mesmo, que importa para quem não nasce?)

Como lei da natureza,

Espírito errante, sem errar,

E sem sonhar, pois não há sonhos

(nem nas estrelas).

 

Assim sonho o que não existe,

E não existe o que sonho,

Sabendo que por o sonhar

Continuará não existindo.

 

E as horas que eu deito ao abandono,

Não são - também elas - nada,

Pois o tempo nunca é senão passagem entre o que será e  que foi.

 

E nunca provarei o que sou,

Porque nunca serei nada,

E nunca provarei o que sou,

Porque do que sou não há provas,

Como a impossibilidade de se provar inocente,

Mas para a minha existência nem provas circunstanciais.

E nunca provarei o que sou,

Porque serei sempre tudo, e o tudo não tem nada que provar,

E eu não tenho alibi da existência.

 

Alheio ao mundo, alheio ao ser, alheio ao tempo.

Sou eu, caso seja, ou não seja, a respirar.

 

Alheio em mim, á minha alma, ao meu pensar.

publicado por Pedro Leitão às 19:56
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Domingo, 17 de Dezembro de 2006
Há algo de belo

Há algo de belo em alguém que morre novo,

E nada da beleza está na morte.

Pelos cantos putrefactos do que vejo

Vejo mais, que a vida que se acaba, antes do tempo,

(há lá tempo para qualquer vida se acabar?)

Tem algo de belo nela, nesse suspiro, nesse findar.

Um romantismo estéril e moribundo,

Do que acabou antes de vir a ser,

E a ignorância do que seria,

Evitando a decadência do lento deixar de ser.

E é triste, e é belo, e emociona-me

O arder e o apagar independente

Da vontade ou desejo do portador,

Apenas por significar o que significa:

Menos o fim de uma esperança infinita num tempo finito,

Menos uma cortina a separar o tudo do nada, e do menos que isso,

Menos uma alma incompleta á espera de o descobrir

(completa por isso)

Menos um resfriar lento e comedido, para não parecer mal,

Mais um suícidio em nome da eternidade.

 

O medo. O medo. O medo.

Perde-o.

Agora ou depois, ardendo ou apagando,

Criança com tudo ou acabado com nada,

Perde-o.

Só te resta a morte.

publicado por Pedro Leitão às 19:56
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