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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006
Pretérito Presente

Sozinho escrevo, inconsciente do que passou antes de mim,

De toda a felicidade e infelicidade do mundo,

E do inexistente que existe e da verdade.

O vazio aprisiona-me em mim,

Torna-se meu,

Única vida na imensidão.

Tudo o que passou antes é nada,

E nada sou para o que virá.

 

Guardo a tua fotografia na minha mão,

E a tua memória onde pertence.

O nada do antes em que o presente vai transfigurar

Pesa-me como lâmina equilibrada

Na linha infinitamente fina sobre mim.

 

E o presente nada é mais que tudo o resto de nada.

 

Observo a tua face cortada da palma da minha mão,

E apago os estilhaços dos outros sítios.

Não apanho os bocados, não tenho com que os colar no lugar,

Poque nunca a nenhum lugar pertenceram, e nada na vida cola.

 

Apenas um sem fim do nada que existe,

Porque não existe nada mais,

Em que eu os varro para debaixo do tapete

Da minha consciência,

E escondo o tapete como escondo de mim a vida.

 

Ah, como era poder ser!

Poder ser mais que o empréstimo a que se tem direito,

Poder dizer em vez de falar, e cada palavra significar

O que se quer dizer e não o que se fala!

E cada sonho, gesto, e pensamento,

Não ter que ser completo

Ou realizado

Ou concreto

Ou sequer pensado

Por o tempo para tal não acabar...

 

E o amplo dessa ideia abate-se sobre mim,

E sou asfixiado pelas estreitas cortinas do tempo.

E o funil limita cada dia que passa, e limita-se a cada mesmo,

E reduz-me a pó das estrelas, varrido para debaixo do meu tapete,

E a parcelas do que nasci.

 

Abro novamente a mão. Vazia.

 

Que escrevi há dez minutos? Não me lembro.

Que escrevi há mais que isso? Não sei, ainda que me lembre.

 

E o que sonho agora, não existe;

E o que vejo agora já não existiu,

E não mais, e nunca mais igual na sua inexistência,

Nem na memória com que disso fique!

 

Não ter nascido.

Não ter nascido e existir ainda assim,

(ou não existir mesmo, que importa para quem não nasce?)

Como lei da natureza,

Espírito errante, sem errar,

E sem sonhar, pois não há sonhos

(nem nas estrelas).

 

Assim sonho o que não existe,

E não existe o que sonho,

Sabendo que por o sonhar

Continuará não existindo.

 

E as horas que eu deito ao abandono,

Não são - também elas - nada,

Pois o tempo nunca é senão passagem entre o que será e  que foi.

 

E nunca provarei o que sou,

Porque nunca serei nada,

E nunca provarei o que sou,

Porque do que sou não há provas,

Como a impossibilidade de se provar inocente,

Mas para a minha existência nem provas circunstanciais.

E nunca provarei o que sou,

Porque serei sempre tudo, e o tudo não tem nada que provar,

E eu não tenho alibi da existência.

 

Alheio ao mundo, alheio ao ser, alheio ao tempo.

Sou eu, caso seja, ou não seja, a respirar.

 

Alheio em mim, á minha alma, ao meu pensar.

publicado por Pedro Leitão às 19:56
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